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AvadLabs
Arquitetura · 6 min de leitura

Como desenhar as permissões de um agente de IA

Permissão mínima é fácil de defender e difícil de aplicar. Um método em cinco passos para decidir o que um agente pode ler, escrever e executar.

Equipe AvadLabs · 07 de outubro de 2026

"O agente só deve ter acesso ao que precisa" é uma frase com a qual todos concordam. O difícil é transformá-la em uma lista concreta, revisável e aplicada pelo sistema. Este é o método que usamos para desenhar as permissões de um agente antes de escrever a primeira linha de código.

1. Comece pelo processo, não pelas ferramentas

Antes de pensar em APIs, descreva o processo como uma pessoa o executaria hoje: que informação ela consulta, que decisões toma e que ações executa. Para um agente de atendimento, por exemplo:

  • consulta o pedido e o status de entrega;
  • responde ao cliente;
  • abre uma troca dentro da política;
  • concede reembolso até um valor;
  • encaminha para uma pessoa o que foge disso.

Cada verbo dessa lista vira candidato a permissão. O que não está na lista não é liberado.

2. Separe ler, escrever e executar

Para cada sistema envolvido, separe três níveis:

  • Ler: consultar dados sem alterá-los.
  • Escrever: criar ou alterar registros, como abrir uma ocorrência.
  • Executar: ações com efeito fora do sistema, como enviar uma mensagem, mover dinheiro ou publicar algo.

A maioria dos agentes precisa de muita leitura, alguma escrita e pouquíssima execução. Quando a proporção se inverte, vale revisar o desenho.

3. Classifique cada ação em três faixas

Para cada ação de escrita ou execução, decida em qual faixa ela fica:

FaixaQuando usarExemplo
PermitidoAção reversível, de baixo valor e dentro da políticaResponder a uma dúvida sobre prazo
Aprovação humanaAção de valor, irreversível ou com impacto externoReembolso acima de R$ 200
BloqueadoAção que o processo nunca deve exigir do agenteAlterar dados bancários

O critério para a faixa não é a confiança no modelo, e sim o custo de um erro. Um modelo excelente que erra uma vez em mil ainda erra.

4. Imponha as permissões fora do modelo

A política de permissões precisa ser aplicada pelo sistema, não apenas descrita nas instruções do agente. Na prática:

  • Credenciais próprias. O agente usa uma conta de serviço própria, com os escopos exatos, nunca a credencial de uma pessoa.
  • Lista de ferramentas. O agente só enxerga as ferramentas liberadas para aquele passo.
  • Validação de parâmetros. Antes de executar, o código verifica valor, destinatário e volume contra a política.
  • Fila de aprovação. Ações da faixa intermediária geram um pedido com contexto; a execução só acontece depois da decisão.

Assim, mesmo que o modelo seja induzido a tentar algo fora do combinado, por erro ou por injeção de prompt, a tentativa é barrada e registrada.

5. Versione e revise

A política de permissões é um documento vivo. Ela deve:

  • ficar versionada junto com o código do agente;
  • ser revisada por quem responde pelo processo, não só pelo time técnico;
  • ser revisitada quando o processo, os sistemas ou o modelo mudam;
  • registrar quem aprovou cada mudança.

Sinais de que as permissões estão largas demais

  • O agente usa a credencial de um funcionário.
  • A mesma credencial serve para leitura e escrita em todos os sistemas.
  • Não há nenhuma ação na faixa de aprovação humana.
  • Ninguém fora do time técnico sabe dizer o que o agente pode fazer.
  • Não existe registro das ações que o agente tentou e foram negadas.

Como isso aparece na prática

Na demonstração, cada cenário mostra a política do agente ao lado da execução. Quando o agente chega a uma ação fora da faixa permitida, a regra correspondente se destaca e a decisão passa para uma pessoa. É esse comportamento que queremos ver em produção: previsível, explicável e auditável.

A permissão mínima é o controle AC-02 do nosso Agent Control Framework.

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